Crônica de travessia

mar e sol

Inaugurando nossas crônicas filosóficas, compartilho com vocês uma breve reflexão sobre a experiência de ver uma senhora atravessar a Baía de Guanabara pela primeira vez.

Entre a correria de sair de uma aula às 13h no Centro do Rio e entrar em outra às 14h, em Niterói, encontro uma senhora atravessando a Baía de Guanabara de barca pela primeira vez. Que cena fascinante perceber o olhar maravilhado dela, sua contemplação quase mística do movimento das ondas no deslocamento da barca, a ideia de voltar ao Rio pela Ponte para ter uma outra visão da Baía…  

Fez-me lembrar das primeiras aulas de Filosofia Antiga, nas quais o professor falava sobre o thauma, princípio fundador da Filosofia que nos permite um distanciamento daquilo que já nos é tão comum para nos maravilharmos outra vez, dar um passo atrás para observarmos os detalhes que a pressa ignora e, numa atitude quase infantil, questionar “o que é isso?”, “por que é assim?”  

Diante da precisão que a academia exige, voltar ao princípio e experimentar a atitude que motivou Parmênides, Sócrates, Platão e tantos outros é, não apenas um prazer, mas um privilégio.


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